Médicos procuram polícia para denunciar mais de 70 vidas em risco na Santa Casa de Campo Grande

À polícia, o grupo de médicos descreveu a situação da Santa Casa como “caótica”, sendo urgência, emergência e ortopedia os setores mais afetados. Co...

Médicos procuram polícia para denunciar mais de 70 vidas em risco na Santa Casa de Campo Grande
Médicos procuram polícia para denunciar mais de 70 vidas em risco na Santa Casa de Campo Grande (Foto: Reprodução)

À polícia, o grupo de médicos descreveu a situação da Santa Casa como “caótica”, sendo urgência, emergência e ortopedia os setores mais afetados. Corredor da Santa Casa de Campo Grande lotado Vinicius Souza/TV Morena Um grupo de médicos da Santa Casa de Campo Grande procurou a polícia da capital para denunciar o hospital por calamidade. À polícia, eles relataram que pelo menos 70 pacientes internados correm risco iminente de morte ou de desenvolver sequelas graves após os atendimentos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Os médicos descreveram a situação como “caótica”, informando que os setores de urgência, emergência e ortopedia são os mais afetados, pois são os que mais recebem pacientes. Além da situação emergencial, os profissionais denunciaram também a falta de insumos nos estoques. “Neste momento, não há nenhum material ortopédico disponível para a realização de cirurgias de urgência e emergência, que deveriam estar ocorrendo. A situação chegou ao limite hoje, mas há semanas a quantidade de insumos não chega”, detalhou um dos médicos à polícia. Segundo o boletim de ocorrência, um outro médico informou que a ortopedia precisou fechar as portas diante do colapso. "Além desses 70 pacientes que estão na lista, outros se acrescentarão, pois acidentes ocorrem o tempo todo e os pacientes chegam à Unidade", disse. Em contato com a secretária de Saúde de Campo Grande, Rosana Leite, o g1 foi informado que os médicos foram orientados pelo Conselho Regional de Medicina a registrar a situação em Boletim de Ocorrência. A secretária também afirmou que a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) está negociando com outras unidades hospitalares para tentar aliviar a demanda na Santa Casa. Rosana Leite explicou também que a pasta solicitou a regulação de 40 pacientes da área de trauma, mas até atualização da reportagem, os pacientes ainda haviam sido transferidos. “O município se comprometeu a realizar um aporte adicional de R$ 1 milhão por mês no contrato, elevando o repasse para a Santa Casa a R$ 6 milhões. O estado, que atualmente repassa cerca de R$ 9 milhões mensais, também está avaliando um aumento nesse valor. Pelas regras do programa, qualquer rompimento contratual exige um período de carência de seis meses. ‘Não é algo que se resolve da noite para o dia'”, afirmou a secretária. Bloqueio de bens Para conter o colapso financeiro que ameaça o funcionamento da instituição, a Santa Casa de Campo Grande obteve uma decisão judicial favorável para o bloqueio de R$ 46 milhões da Prefeitura de Campo Grande. A medida foi tomada após a Santa Casa alegar, em ação cível, que opera com subfinanciamento crônico e que a prefeitura não cumpriu integralmente o orçamento destinado à saúde no último ano. A Justiça, em caráter de urgência, determinou que a prefeitura realize o repasse da verba em 48 horas, sob pena de sequestro de bens. A decisão, concedida pelo juiz Marcelo Andrade Campos Silva, titular da 4ª Vara, visa garantir o cumprimento de uma sentença judicial anterior que reconheceu o direito da Santa Casa ao recebimento do montante. A instituição hospitalar, que realiza mais da metade dos atendimentos de alta complexidade na região de Campo Grande, argumenta que o repasse é crucial para a manutenção dos serviços e para evitar o agravamento da crise financeira que a assola. Santa Casa em Campo Grande Divulgação